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Apaixone-se - parte III

Relatarei, aqui, caro leitor, histórias baseadas em fatos reais, sobre paixões vividas por pessoas comuns, que não conseguem se entregar menos que integralmente ao ser amado. Paixões que se prolatam pelo tempo com a mesma destruição e imprevisibilidade de uma tempestade de inverno.

Os pequenos contos serão expostos em primeira pessoa, de modo a dar mais realidade ao depoimento e a facilitar o acesso ao seu coração, meu leitor, através de seus olhos.


A cada texto deste sequencial será atribuída uma trilha sonora conexa ao mesmo, para ser ouvida (e sentida)  por você, durante o processo de leitura. Essa experiência possibilitará uma mistura inigualável de sensações, aguçando seus sentidos mais íntimos!

Deguste este conto ao som de AMY WINEHOUSE - YOU KNOW I'M NO GOOD.

Apaixone-se - parte II

Relatarei, aqui, caro leitor, histórias baseadas em fatos reais, sobre paixões vividas por pessoas comuns, que não conseguem se entregar menos que integralmente ao ser amado. Paixões que se prolatam pelo tempo com a mesma destruição e imprevisibilidade de uma tempestade de inverno.

Os pequenos contos serão expostos em primeira pessoa, de modo a dar mais realidade ao depoimento e a facilitar o acesso ao seu coração, meu leitor, através de seus olhos.


A cada texto deste sequencial será atribuída uma trilha sonora conexa ao mesmo, sob a curadoria do jornalista Rayldo Pereira, para ser ouvida (e sentida)  por você, durante o processo de leitura. Essa experiência possibilitará uma mistura inigualável de sensações, aguçando seus sentidos mais íntimos!

Deguste este conto ao som de LORDE - YELLOW FLICKER BEAT.

Apaixone-se! - parte I

Relatarei, aqui, caro leitor, histórias baseadas em fatos reais, sobre paixões vividas por pessoas comuns, que não conseguem se entregar menos que integralmente ao ser amado. Paixões que se prolatam pelo tempo com a mesma destruição e imprevisibilidade de uma tempestade de inverno.

Os pequenos contos serão expostos em primeira pessoa, de modo a dar mais realidade ao depoimento e a facilitar o acesso ao seu coração, meu leitor, através de seus olhos.


A cada texto deste sequencial será atribuída uma trilha sonora conexa ao mesmo, sob a curadoria do jornalista Rayldo Pereira, para ser ouvida (e sentida)  por você, durante o processo de leitura. Essa experiência possibilitará uma mistura inigualável de sensações, aguçando seus sentidos mais íntimos!

Deguste este conto ao som de TOVE LO - HABITS.

O manequim gay

A estória que se segue se passa em um mundo paralelo, em um tempo indefinido, composta de personagens e ações sutilmente distintas daquelas que você, leitor, está acostumado a presenciar em seu cotidiano preto-e-branco.

Pedro, todos os dias, pontualmente, acorda às 06h30 da manhã. Nem um segundo a mais, nem um segundo a menos. Levanta-se, olha-se no espelho, desenha em sua cabeça pensamentos depreciativos sobre sua aparência física, toma um banho, veste-se, prepara um café da manhã leve e sai para uma corrida. Põe seus fones e ouve músicas no modo aleatório: não importa o timbre do cantor ou a harmonia da composição, apenas o barulho que invade e preenche seus ouvidos.

A família perfeita

Uma (falsa) família perfeita


Éramos uma família perfeita, no sentido bíblico da expressão. Marido, mulher e dois roliços e rosados filhos. Como bons católicos, íamos à igreja semanalmente, sempre aos domingos. Jantávamos em requintados restaurantes, preferencialmente aos sábados. Convidavam-nos para todos os eventos festivos, desde aniversários até réveillons. Sempre queriam nos manter por perto, como que à espera que, por um deslize, mostrássemos personalidades grosseiras e selvagens. Éramos impecáveis, no entanto. A vizinhança nos inveja e questionavam-se como uma família poderia ser tão unida e feliz. Devo dizer que éramos excelentes atores.

Crescei e multiplicai-vos

 A pedofilia na Igreja Católica


SOB O PÁLIO da cruz, sentia o suor respingar em meu rosto. Cada relâmpago que atravessa as vidraças daquela noite chuvosa e sombria revelava uma mistura de feições de fé, prazer e medo. O segundo adjetivo despiu-se diante de meus olhos aos poucos, veste após veste, com mãos de malícia, o que me pôs no atual estado de estupefação. Os trovões pareciam acompanhar, em sincrônica melodia, as orações em latim, que se espremiam tímidas por entre gemidos fervorosos. As dores e o eventual sangramento já não mais me incomodavam. Só não compreendia ao certo o sentido daquilo tudo.

A mulher dos meus sonhos

A SOBERBA #2


O sol não estava mais iluminado nem os passarinhos cantarolavam nos arvoredos. Era uma dia como outro qualquer. Daqueles que, no início, você deseja que termine logo e que, no final, prolongue-se por mais três ou quatro horas. Acredito, leitor, que as melhores (e piores) pessoas sempre surgem (e desaparecem) no inesperado.

12h30. Intervalo para o almoço. Aproveito e dou uma escapadela do escritório para a livraria da esquina. Há dias aquele Vade Mecum atualizado estava em meus planos. Quase correndo, atravesso o mar de pernas, entre puxões e xingamentos. Um “não vê por onde anda, seu apedeuta?” acertou minha nuca. Suspirei, balancei negativamente a cabeça e, com um franzir de testa, prossegui. Apenas me despertou a curiosidade aquele verbete esquisito.

Pobre e soberba

A SOBERBA #1


Rochelle, pobre e soberba (Poemas Avulsos)NASCEU no interior do estado, em uma choupana de teto de palha e paredes de barro. Se o ditado popular fosse verídico, diria que nasceu com as nádegas viradas para o Sol. Teve de viver aquela vidinha interiorana de muito trabalho e pouco estudo.
A falta de sorte financeira e intelectual, no entanto, fora compensada com uma astúcia inigualável. Como se tal virtude não bastasse, era harmônica de curvas e traços de rosto. Isso mesmo que você está pensando, leitor: não demorou muito e ela logo se engraçou com o coronel da cidadela. Era a amante e, como boa profissional do ramo, sugava do adúltero bons quinhões. Nada que uma boa lábia (lê-se ameaças) não resolva, não?

Você não passa de um negrinho inútil, meu caro!

A PREGUIÇA #2
Caricatura de Machado de Assis (Poemas Avulsos)- QUERIDO, olhe para mim - disse D. Leopoldina, pondo as palmas das mãos sobre o rosto do pequenino Assis. – Nunca, nunca acredite naqueles que zombam de sua capacidade, certo? Fez-se uma longa pausa. A genitora sufocou-o com um imenso abraço, como que querendo protegê-lo da caixa de Pandora, alcunhada de mundo. Uma lágrima escorreu-lhe. Sabia que a vida ser-lhe-ia implacável; que não perdoaria sua origem humilde e sua descendência étnica. Inocente, esbugalhou os olhos, tentando compreender o motivo da emoção repentina. Mal sabia que este seria seu derradeiro afago.
Ressalto, leitor, para fins de coerência textual, que a estória, aqui exposta, passa-se no Rio de Janeiro, em 1845, época em que nascer negro era mais que um castigo do destino: era um castigo divino.

A chave da pobreza e da miséria

A PREGUIÇA #1

ESGUEIRAVA-SE, viscoso e úmido, pelos cantos do casebre. A chuva salpicava o telhado, aumentando o diâmetro das já existentes goteiras e criando outras. A estrutura de pau-a-pique cambaleava ao ritmo da ventania. Nem as intempéries da natureza, no entanto, eram capazes de despertar a demência de João Francisco.
- Menino, vai ajudá tua mãe! Num tá veno que ela tá pra se acabá aí, colocando as tigela pra apará a água? – gritava José das Chagas, enquanto esfregava gravetos na lenha, em tentativa vã de acender o forno.
Preguiça (Poemas Avulsos)- Aaaah, pai! – estirou-se no colchão, que, apesar de encharcado, não parecia incomodá-lo. – Cadê a Tonha e o Pedim? Eles faz isso mió que eu! – riu-se, em uma risadinha preguiçosamente debochada.
- Que minino teimoso! Tá veno, Joaquina? – virou-se para a esposa. – Isso é culpa tua! Que, quando eu queria dá umas chinelada nesse muleque, tu acobertava ele! Não, não bate no pobrezim. – disse, afinando a voz. – Agora, tá aí, tudo que a gente manda ele fazê, ele vem com essa desculpa esfarrapada! – suspirou. – Agora, que ele já tá hômi, nem adianta mais! – a raiva transparecia em seu timbre.

Gisele Bündchen veste 46

A GULA #3

DESSA VEZ, foram somente trinta minutos. Uma escova dental, um banheiro e mil pensamentos desordenados, juntos, são um instrumento de alto poder lesivo, quando em mãos corretas.
Júlia sempre fora uma criança afável e de fácil manuseio. Nossa, ela é uma boneca!, exclamava uma. Patrícia ela puxou para você: tem um talento nato para as passarelas. Vede como é graciosa no andar!, suspirava outra. Ainda bem que só herdou os genes da mãe, ria-se o pai, orgulhoso. E, sempre bem regada aos exclamos e suspiros, crescera a pequenina Gisele.
Modelo gorda (Poemas Avulsos)- Filha, não esqueça do ensaio hoje, às 13h!
Como era gratificante para a mãe ver a filha seguindo seus passos. Em vaidade típica da profissão, via-se em cada flash; regozijava-se, rememorando o início de sua carreira.
 - Certo, mãe, gritava Júlia, de outro cômodo.
 Aquela vida de passarelas não a agradava muito. A empolgação de Patrícia era-lhe torturante. Por mais que assim quisesse, não podia sobrepujar os sonhos da mãe, em prol de reles capricho seu.

Mais gostosa que nunca!

A GULA #2

Mulher gorda e feia (Poemas Avulsos)COMPLETARAM dez anos de casados na semana anterior. O tédio, há pelo menos três anos, instalara-se na relação conjugal. Do contrato matrimonial, originaram-se três filhos, dois amantes e muitos, muitos débitos. Marcelo e Carmem eram os protagonistas do teatro que eles chamavam vida. A opinião dos vizinhos é sempre muito importante, leitor.
Carmem, em notória ousadia, desfilava pelo costumeiro pagode, com um short curtíssimo, uma tomara-que-caia apertadíssima e três camadas de pele. Era mestra nos superlativos. Com altivez de galo em chuva, exibia Leandro, que, para fins teatrais, era amigo de família.
Em mesa próxima, coincidência ou não, avistara Marcelo, intitulado pelos íntimos de São Jorge, ao lado de mais uma de suas feras. Aproximou-se e, antes de destilar seu veneno, Marcelo interpôs:

Venha, e me coma!

 A GULA #1

Obs.: Proibido acesso a menores de dezoito anos por conter alusão sexual.

AIDS (Poemas Avulsos)
 - DE BAIXA caloria, é? Henrique ria-se, enquanto atirava, pela janela do carro, uma ponta de cigarro. Deixe-me provar, então, para ver se o sabor é idêntico ao original!
Ao sair, entregou, satisfeito, os vinte reais da moçoila.
É tão bom te comer, sua gostosa!, pensava, enquanto transava com sua namorada. Somente pensava, claro. Afinal, namoradas e esposas são santas, destinadas exclusivamente ao sexo reprodutivo. Aventuras?, só com as demais, meu caro!

Sou eu quem paga essa p*!

A AVAREZA #3

 Obs.: Proibido acesso a menores de dezoito anos por conter palavras de baixo calão.
 
Mulher brigando (Poemas Avulsos)
- SOU EU quem paga essa porra!
De lugares e vidas tão distintos, ecoava esta frase, sempre muito bem acompanhada de gritos e insultos. Atribua isso aos arbítrios da Avareza: qualquer um pode ser proprietário de mãos bovinas, caro leitor.
De classe média alta, em seus catorze anos de compreensível rebeldia, Carlos monologava:
 - Não aguento mais minha mãe!, cerrava os punhos. Sou eu quem paga essa porra, imitava, em tom de escárnio, o timbre da genitora.
Manteve-se em silêncio por alguns segundos.
 - Quando eu for maior de idade, tudo será diferente, iludia-se. Passados quatro anos, tudo se manteve em idêntico estado, quiçá pior.
E por que a mãe de Carlos insistia nessa avareza, já que era aquinhoada?, você deve estar se questionando. Porque ela viera de uma família pobre, ou melhor, paupérrima e erigira todo seu patrimônio por meio de cada gota de suor de exaustivas falcatruas. Não é tão fácil quanto parece apropriar-se do erário público e ainda manter ares de honesto, leitor. Isso mesmo: a mãe de Carlos é a típica representante da politicagem brasileira.

Não, eu NÃO te amo!

A AVAREZA #2

DEVO tê-la assustado, não, querida leitora? Você, tão acostumada aos pieguismos exacerbados de Crepúsculo, indubitavelmente, percorreu o título deste conto com um franzir de testa. Não se preocupe que, na rispidez de minhas palavras, manterei intacto seu mundo cor-de-rosa.
Eu não te amo (Poemas Avulsos)Felipe de Sá transladava os polegares, enquanto mantinha os demais dedos entrelaçados. Sempre repetia este movimento, em momentos de tensão; em uma tentativa, quase sempre frustrada, de aliviar a sobrecarga de seus ombros. Olhava para o lustre que pendia do teto, ornamentado com uma réplica de Da Vinci. Suas pernas, cruzadas, denunciavam pés acelerados e compulsivos.
 - Mas, Dr. Lúcio, isto tem cura mesmo?, era a quinta vez que perguntava, em um interstício de dez minutos.
 - Felipe, acalme-se. Você já ouviu falar que para todo problema há uma solução?, seu olhar clínico era estranhamente frio e reconfortante. Pegue, tome mais um pouco desta água, entregou-o o copo que antes repousava sobre o criado-mudo, ao lado.

Síndrome do jeitinho brasileiro

A AVAREZA #1

Joaquim Almeida Machado, 43 anos, divorciado, dois filhos, eletricista. Esta é a identidade basilar do protagonista de nosso conto de hoje, caro leitor. Superficial? Acalme-se, que, no percorrer destas linhas, detalharei o perfil do pitoresco.
Avareza (Poemas Avulsos)Joaquim é o típico homem médio, de estatura mediana, de opinião e dizeres consensuais, QI aceitável e portador da síndrome do jeitinho brasileiro. Sinto dizer que a Medicina não se atém às doenças fictícias, resultantes do ócio improdutivo da bizarrice literária. Resta-me, portanto, descrevê-la com meus próprios hieróglifos: a síndrome do jeitinho brasileiro acomete todos aqueles que, aqui nascidos, ou até naturalizados, possuem a missão divina de obrar milagres, e multiplicar os pães de um salário mínimo; reitero, mínimo. Os principais sintomas deste mal são: atração magnética pelo verbete liquidação; incríveis habilidades argumentativas em contratos de compra e venda; compulsão por objetos de baixo custo, ainda que supérfluos; uso involuntário e contínuo da frase “parcela em quantas vezes, senhor?”; e, principalmente, tudo é sempre muito caro (e o dinheiro sempre muito escasso, claro), para o portador desta síndrome.

Bullying fail

A INVEJA #2
Tão incrível e sutil,
Teu doce jeito matreiro.
Te beijei, tudo sumiu.
Inclusive meu dinheiro.

Aviso-te, leitor, que qualquer semelhança entre o que aqui discorro e a sua realidade não são mera coincidência.
Flávio nunca fora um arquétipo de beleza física. Dentre inúmeras desarmonias (eram imensuráveis, sim, em sua cabeça), o excesso de peso e a escassez de estatura eram os alvos prediletos do escárnio alheio. A notoriedade de sua presença não era tão intensa quanto acreditava, no entanto; a timidez o tornava simplesmente neutro, quase imperceptível, diante dos olhares inquisidores.

Moulin Rouge

A LUXÚRIA #2

Obs.: Texto não recomendado para menores de 18 anos. O autor não se responsabiliza pela visualização indevida por menores de idade.

Manuela não conseguia extrair aqueles pensamentos de sua psique. A tão repulsiva vozinha ecoava insistentemente em sua cabeça: piranha, vagabunda, prostituta... Como pode uma mulher de 45 anos, respeitada professora, dois filhos, em seu segundo casamento, deleitar-se em tamanha promiscuidade? Apesar da conduta reiterada, ainda não se acostumara com a ideia da tal bissexualidade O tesão que sentia por moçoilas, quase sempre suas alunas, era arrebatador, instintivo, quase viciante. Agia como uma dependente química. Não podia se privar por muito tempo daquele alucinante odor vaginal. Caçava suas presas de forma quase primitiva, quase animal.

Arco íris preto e branco

Túlio tinha lá seus vinte e tantos anos. Digamos que sua beleza não atendia aos padrões universais. Seus intensos olhos cinzentos davam-lhe um ar, hã, digamos, enigmático.
No alvorecer de sua adolescência – após alguns longos anos de intensas batalhas internas -, Túlio assumiu sua homossexualidade. Sua mãe, como se já soubesse desse fato (e, no fundo, realmente sabia), aceitou a notícia com um simples franzir de testa.

Em busca do Noel

O pequeno Pedro não suportava mais esperar pela chegada do velho Noel. Em seus inocentes cinco anos de idade, ansiava pelo presente que há muito desejava: um belo carrinho de controle remoto. Comportou-se o ano inteiro, esforçou-se para tirar boas notas na escola, evitou brigas com seu irmão adolescente (esta parte foi a mais desafiadora, sem dúvidas). Tudo por uma grande causa.

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