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Os Sem-Natal



O abandono de crianças e idosos em asilos


Olhava fixamente aquele retrato amarelado e desgastado pelas intempéries do tempo. Tentava imaginar como seria o rosto dele, após tantos anos. Será se ele tem o garbo do pai? Será se ele tem os olhos da avó? Não sei, nem nunca saberei. Absorta em meus pensamentos, encarava o nada, e ali me mantive em lágrimas e esperanças perdidas.

Descobri, há vinte anos, que era portadora de esclerose múltipla. As palavras soavam inaudíveis de meus lábios, tentando, em vão, expressar o impacto daquela notícia. Como a natureza poderia ser tão cruel? Por que eu? Será se não mereço ter uma vida plena, nem que seja um pouco mais? Padeci diante das lembranças de todo o tempo perdido e das chances abandonadas, ou pelo simples medo de errar ou pelo cômodo da imparcialidade diante das escolhas.

Agora, aqui estou. Sentada nesta cadeira de rodas, dependendo de tudo e de todos para as mais elementares atividades cotidianas. O galope de minha doença transparece no crescente peso que despenca sobre meus músculos. Por que eles não respondem aos comandos do seu mestre? Apenas sorriem diante do fracasso de minhas tentativas.

Em busca do Noel

O pequeno Pedro não suportava mais esperar pela chegada do velho Noel. Em seus inocentes cinco anos de idade, ansiava pelo presente que há muito desejava: um belo carrinho de controle remoto. Comportou-se o ano inteiro, esforçou-se para tirar boas notas na escola, evitou brigas com seu irmão adolescente (esta parte foi a mais desafiadora, sem dúvidas). Tudo por uma grande causa.

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