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amor
,
decisão
,
destino
,
dia dos pais
,
narração
,
reflexão
Sem comentários
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,
dia dos pais
,
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Você quer ser meu pai?

Abandono de crianças em orfanatos no Brasil
HELENA fincava fortemente as unhas em minhas costas. Suas lágrimas inundavam meu paletó. Reunia, em minhas vísceras, o impossível, para não sucumbir àquele momento. Era o terceiro filho que perdíamos, somente naquele ano.
- Eu sou uma oca, Vinícius! Completamente
vazia por dentro! – agitava a cabeça, desordenadamente, atrapalhando-se entre
lágrimas e palavras.
- Amor... – suspirei fundo. – Acalme-se. A
culpa não é sua. – pus meu indicador em seu queixo e, erguendo seus olhos,
enxuguei-lhe as lágrimas e beijei-lhe a testa. – O aborto espontâneo, como a
própria nomenclatura sugere, independe completamente de sua vontade. – entoava
minha voz, de modo a soar a mais acolhedora possível. – Simplesmente acontece.
– conclui, abraçando-a com maior afinco. Olhei para o nada, por sobre seu
ombro, e perdi-me em pensamentos, perguntando-me até que ponto suportaria aquilo
tudo.