Você quer ser meu pai?


Abandono de crianças em orfanatos no Brasil


HELENA fincava fortemente as unhas em minhas costas. Suas lágrimas inundavam meu paletó. Reunia, em minhas vísceras, o impossível, para não sucumbir àquele momento. Era o terceiro filho que perdíamos, somente naquele ano.

 - Eu sou uma oca, Vinícius! Completamente vazia por dentro! – agitava a cabeça, desordenadamente, atrapalhando-se entre lágrimas e palavras.

 - Amor... – suspirei fundo. – Acalme-se. A culpa não é sua. – pus meu indicador em seu queixo e, erguendo seus olhos, enxuguei-lhe as lágrimas e beijei-lhe a testa. – O aborto espontâneo, como a própria nomenclatura sugere, independe completamente de sua vontade. – entoava minha voz, de modo a soar a mais acolhedora possível. – Simplesmente acontece. – conclui, abraçando-a com maior afinco. Olhei para o nada, por sobre seu ombro, e perdi-me em pensamentos, perguntando-me até que ponto suportaria aquilo tudo.

Histórias Cruzadas

 A discriminação racial no Brasil


Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (...). (CF/88)

A PAR da garantia insculpida na Carta Magna, será se a igualdade lato sensu, princípio basilar da República Federativa do Brasil, ultrapassa os limiares estabelecidos pela letra da lei? Ou será se essa norma restringe-se ao campo meramente material, posicionando-se mais como uma norma programática que cogente?

Tais questionamentos foram despertados em meu intelecto pelo filme Histórias Cruzadas, que retrata, sob o viés das empregadas domésticas, a discriminação racial predominante nos Estados Unidos, da década de 40. As pobres negras, em apertada sinopse, sofriam as mais cruentas formas de exclusão social, que perpassavam a proibição de frequentar certos ambientes ao absurdo de serem tolhidas, por força de lei, a utilizar o mesmo banheiro de seus patrões.

Sarah Meneses, a curica de ouro

O ouro olímpico da judoca piauiense Sarah Meneses


Há pelo menos dez dias, ri-me ao ver que, no microblog Twitter, dentre os Trending Topics, constava a expressão “curica de ouro”, que aludia à conquista histórica do ouro olímpico pela judoca piauiense Sarah Meneses. Como é cediço, tal expressão advém do bordão utilizado por uma personagem de novela televisiva, transmitida pela emissora Rede Globo. No mesmo dia, também incorri em felicidade instantânea, ao deparar-me com um depoimento incontido, de idêntica temática, de um usuário da rede social Facebook; dessa vez, porém, de tom mais estúpido e menos humorístico que aqueloutro. Transcrevo um trecho da declaração, com as devidas correções gramaticais: “Pode ganhar milhões de medalhas... O Brasil vai continuar o mesmo em educação, saúde, segurança (...).” Aqui, utilizo-me de meu direito constitucional ao silêncio, tamanha a ausência de embasamento fático e lógico da assertiva. As críticas destrutivas e as expressões faciais ficam a seu critério, leitor.

Crescei e multiplicai-vos

 A pedofilia na Igreja Católica


SOB O PÁLIO da cruz, sentia o suor respingar em meu rosto. Cada relâmpago que atravessa as vidraças daquela noite chuvosa e sombria revelava uma mistura de feições de fé, prazer e medo. O segundo adjetivo despiu-se diante de meus olhos aos poucos, veste após veste, com mãos de malícia, o que me pôs no atual estado de estupefação. Os trovões pareciam acompanhar, em sincrônica melodia, as orações em latim, que se espremiam tímidas por entre gemidos fervorosos. As dores e o eventual sangramento já não mais me incomodavam. Só não compreendia ao certo o sentido daquilo tudo.

Os bastidores de um Führer

Os bastidores da Segunda Guerra Mundial


“ELE FAZIA esboços, pintava, projetava museus, uma ponte sobre o rio Danúbio, teatros e até mesmo a completa reconstrução de Linz. Fez também, por um tempo, algumas aulas de piano. Além disso, frequentava concertos, teatros, um clube de música, outro de livro e um museu de cera.”

Acredito que essa descrição é exígua e por demais vaga para ser imputada a alguém. Porei aqui, então, mais alguns trechos de alusão ao nosso protagonista de hoje, leitor. Dou-lhe apenas mais duas chances para atingir a resposta correta.

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