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Simpatias de fim de ano

Saiba como trazer seu amor em 3 dias


Ceia em família. Festa com os amigos. Viagem para o litoral. Show do Roberto Carlos na Globo. Gordos ressonos nos braços de Morfeu, simplesmente. Várias são as formas de se passar a virada do ano, ou, como diríamos nós, importadores da língua estrangeira, Réveillon.


Alguns rezam, outros pulam sete ondas, muitos vestem brancos, e acreditam no melhor, pois, no ano próximo, os astros estarão a seu favor. 

Os Sem-Natal



O abandono de crianças e idosos em asilos


Olhava fixamente aquele retrato amarelado e desgastado pelas intempéries do tempo. Tentava imaginar como seria o rosto dele, após tantos anos. Será se ele tem o garbo do pai? Será se ele tem os olhos da avó? Não sei, nem nunca saberei. Absorta em meus pensamentos, encarava o nada, e ali me mantive em lágrimas e esperanças perdidas.

Descobri, há vinte anos, que era portadora de esclerose múltipla. As palavras soavam inaudíveis de meus lábios, tentando, em vão, expressar o impacto daquela notícia. Como a natureza poderia ser tão cruel? Por que eu? Será se não mereço ter uma vida plena, nem que seja um pouco mais? Padeci diante das lembranças de todo o tempo perdido e das chances abandonadas, ou pelo simples medo de errar ou pelo cômodo da imparcialidade diante das escolhas.

Agora, aqui estou. Sentada nesta cadeira de rodas, dependendo de tudo e de todos para as mais elementares atividades cotidianas. O galope de minha doença transparece no crescente peso que despenca sobre meus músculos. Por que eles não respondem aos comandos do seu mestre? Apenas sorriem diante do fracasso de minhas tentativas.

Você quer ser meu pai?


Abandono de crianças em orfanatos no Brasil


HELENA fincava fortemente as unhas em minhas costas. Suas lágrimas inundavam meu paletó. Reunia, em minhas vísceras, o impossível, para não sucumbir àquele momento. Era o terceiro filho que perdíamos, somente naquele ano.

 - Eu sou uma oca, Vinícius! Completamente vazia por dentro! – agitava a cabeça, desordenadamente, atrapalhando-se entre lágrimas e palavras.

 - Amor... – suspirei fundo. – Acalme-se. A culpa não é sua. – pus meu indicador em seu queixo e, erguendo seus olhos, enxuguei-lhe as lágrimas e beijei-lhe a testa. – O aborto espontâneo, como a própria nomenclatura sugere, independe completamente de sua vontade. – entoava minha voz, de modo a soar a mais acolhedora possível. – Simplesmente acontece. – conclui, abraçando-a com maior afinco. Olhei para o nada, por sobre seu ombro, e perdi-me em pensamentos, perguntando-me até que ponto suportaria aquilo tudo.

Pega-pega

Quanto mais me esquivo do destino, mais ele se torna onipresente em minha rotina. Fugir do inevitável? Creio que não. Não me encaixo no estúpido perfil dos escritores do ultra-romantismo brasileiro. Somente me sinto impotente diante do entrelaçar do acaso. Moldam-se esculturas, tecem-se fios. Alguém me pergunta qual trançado usar? Qual agulha pegar? Não. Lógico que não. O destino simplesmente une as correias da vida com a imparcialidade e a frieza de... bem, não sei de quê.

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