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Dicas de como ser um bom adúltero

NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS POR CONTER PALAVREADO DE BAIXO CALÃO.

- Quando você voltará, querido? – Vânia contorcia-se dengosamente por entre os lençóis de algodão do motel.
- Não sei, já disse! – enfatizei rispidamente. – E, mais uma coisa, - acrescentei – não me ligue mais! Da última vez, tive de fazer uma encenação digna de Oscar para convencer Helena – revirei os olhos. Sabe como ela é ciumenta, e que já vem desconfiando de um novo relacionamento paralelo.
- HAHAHA! – riu-se por inteira, com ênfase no tom de deboche. Até quando aquela corna vai aceitar suas traições, hein?
De sobressalto, saltei sobre Vânia e, quando dei por mim, minhas mãos já estavam envoltas em seu pescoço, enquanto paralisava suas pernas, que pendiam inúteis entre as minhas.
- N-U-N-C-A mais repita isso! – a fúria ardia em meus olhos. – Ouviu, sua rapariga? – vi a cor esvaindo de seu rosto, enquanto se debatia inerte, tal qual uma presa nas garras do predador. – Você sequer é digna de pronunciar o nome de Helena, entendeu?!

O (meu) fim do mundo (2012)


Suicídios decorrentes de transtornos psicólogicos


Acordei com um ar sôfrego, de quem correra uns 10 quilômetros, sob um sol causticante. Apoiei-me por sobre meus cotovelos naquele chão frio e impecavelmente límpido. Percorri os olhos pelo recinto desconhecido, como que em suplício de algo familiar. Com certa dificuldade, levantei-me e pus-me a explorar aquela imensidade luminosa. Não demorei muito a descobrir que o tal recinto era apenas um de uma infinidade de outros, que cortavam o horizonte em um corredor aparentemente sem fim.

Paranóia

Não consigo conter as lágrimas. Elas insistem em atravessar os filtros de minh'alma. Esses malditos pensamentos simplesmente não saem do meu intelecto. Tento, em vão, tirá-los. Nessa árdua tarefa, quanto mais insisto em removê-los, mais profundamente eles penetram nas entranhas do meu consciente.O motivo de tudo isso? Simplesmente não sei. A tristeza muitas vezes nos é acometida por meio de um invólucro de sentimentos racionalmente desconhecidos, caro leitor.

Simplesmente grito

Simplesmente poupe-me. Poupe-me desta farsa. Poupe-me deste fingimento. Poupe-me desta agonia. Poupe-me dessa mentira social. Poupe-me desta máscara que insistes em usar. Até quando viverei sob a sombria luz da camuflagem? Até quando serei obrigado a presenciar tua desprezível decadência? Será que não enxergas o óbvio?
Como queria me libertar. Ver-me livre de todo esse teatro. De toda essa encenação, na qual eu sou o mais fútil figurante e o mais bobo e imbecil protagonista.

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