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Dicas de como ser um bom adúltero

NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS POR CONTER PALAVREADO DE BAIXO CALÃO.

- Quando você voltará, querido? – Vânia contorcia-se dengosamente por entre os lençóis de algodão do motel.
- Não sei, já disse! – enfatizei rispidamente. – E, mais uma coisa, - acrescentei – não me ligue mais! Da última vez, tive de fazer uma encenação digna de Oscar para convencer Helena – revirei os olhos. Sabe como ela é ciumenta, e que já vem desconfiando de um novo relacionamento paralelo.
- HAHAHA! – riu-se por inteira, com ênfase no tom de deboche. Até quando aquela corna vai aceitar suas traições, hein?
De sobressalto, saltei sobre Vânia e, quando dei por mim, minhas mãos já estavam envoltas em seu pescoço, enquanto paralisava suas pernas, que pendiam inúteis entre as minhas.
- N-U-N-C-A mais repita isso! – a fúria ardia em meus olhos. – Ouviu, sua rapariga? – vi a cor esvaindo de seu rosto, enquanto se debatia inerte, tal qual uma presa nas garras do predador. – Você sequer é digna de pronunciar o nome de Helena, entendeu?!

Padrasto versus enteado

Pedro sabia que Félix não é nem nunca seria seu pai. Nem ambos tinham a intenção de sê-lo.  Apenas suportavam a relação não amistosa em respeito ao pupilo em comum: Gal. O carisma contagiante e o sorriso fácil desta sucumbiam qualquer ímpeto animalesco. Os machos sabiam que a luta por aquisição do território seria inoficiosa. Restava, pois, o conter de ânimos.

Félix sequer se esforçava para conquistar a amizade dos filhos. Pedro, por sua vez, não estava disposto a ser domado. Ricardo assistia inerte às lutas romanas entre ambos. Gal agia como juíza conciliadora, ora em diplomacia, ora em liderança. Nem é preciso se utilizar tanto de argumentos quando se tem poder de sedução sobre o sexo oposto.

D. Aurélia Camargo

A INVEJA #1
“O ciúmes não nasce do amor, e sim do orgulho. O que dói neste sentimento, creia-me, não é a privação do prazer que outrem goza, quando também nós podemos gozá-lo e mais. É unicamente o desgosto de ver o rival possuir um bem que nos pertence ou cobiçamos, ao qual nos julgamos com direito exclusivo, e em que não admitimos partilha. Há mais ardente ciúme do que o do avaro por seu ouro, do ministro por sua pasta, do ambicioso por sua glória? Pode-se ter ciúme de um amigo, como de um traste de estimação, ou de um animal favorito. Eu quando era criança tinha-o de minhas bonecas”. (Aurélia, em A Senhora, de José de Alencar).

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