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Como ser um bom escritor



Certa vez, em um passado nem tão longínquo, um amigo me abordou e questionou: como está o Blog, Elvis? Esbocei a mesma reação, que esboço a todos, um franzir de cenho, acompanhado de um enruguecer de lábios: rapaz, está parado. Logo acompanhado da desculpa de compreensão universal: não tenho tido tempo. Ok.
Em passado mais recente, outro amigo dispersou a seguinte informação: o Elvis escrevia um Blog (isso mesmo, no pretérito, indicando uma ação perfeitamente acabada e concluída). Estranhei porque, até então, jamais ouvira tamanha audácia: nunca parei de escrever. Logo, ele disparou uma resposta muito perspicaz – a mesma que me levou a escrever o presente texto: é, mas você sequer atualiza mais. Mantive-me inerte diante daquela afirmação, refletindo, cabisbaixo, a respeito de sua veracidade. Hoje, neste domingo de ócio produtivo, venho, por meio deste instrumento, oferecer minha réplica, que outrora se mantivera calada:

Interpretação

Pergunto-me: como palavras tão sublimes e sintaxes tão complexas podem ser resultantes de sentimentos tão odiosos e enfadonhos? Digo isso porque a inspiração sempre insiste em contemplar o poeta em seus momentos de rancor, raiva, ódio, tristeza, tédio ou de incrível prazer. Por quê? Por que simplesmente não posso escrever quando bem entender? Por que muitos insistem em dizer que o dom da escrita pertence a poucos? A palavra é de todos, leitor!

O ato de escrever

Escrevo frases enfadonhas. Escrevo palavras irritantes. Escrevo sentimentos alheios. Escrevo sentimentos esquecidos, próprios e inacabados. Escrevo porque sinto. Escrevo simplesmente porque quero. Simplesmente arroto as palavras no papel, de forma aleatória, confusa. Escrevo coisas que não possuem nexo para o meu consciente e para a consciência dos demais que crêem em sua sanidade.
Essas coisas, porém, para o meu louco e insano inconsciente, para o meu id, para qualquer outra coisa que designe algo bizarramente incompreensível, fazem um sentido tão claro quanto a pureza lógica dos números.

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