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miséria
,
oitavo pecado
,
pobreza
,
preguiça
Sem comentários
miséria
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oitavo pecado
,
pobreza
,
preguiça
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Não dê esmola, dê cidadania
SEMÁFORO vermelho. Era noite e a luz dos postes esgueirava-se pelos resíduos suspensos, formando um amarelo opaco e desvanecido. O calor evaporava do asfalto e misturava-se ao som da impaciência dos motoristas: o clima era de uma agonia ensurdecedora.
- Levante os vidros! Rápido! – disse o passageiro, nitidamente inquieto.
- Hã? – ainda despertava da latência do tédio – Mas por quê? – peguei-me já suspendendo o vidro, como que por instinto de defesa.
O passageiro dirigiu o olhar para a silhueta à frente, que se desenhava pálida nas cores do urbano. Naquele instante, fui invadido por uma sensação mui peculiar. Tanto que me vi intimado a decompô-la em palavras. Acredito, leitor, que é nesses sentimentos que cruzam as águas da inspiração e da imaginação.
- QUERIDO, olhe para mim - disse D. Leopoldina, pondo as palmas das mãos sobre o rosto do pequenino Assis. – Nunca, nunca acredite naqueles que zombam de sua capacidade, certo? Fez-se uma longa pausa. A genitora sufocou-o com um imenso abraço, como que querendo protegê-lo da caixa de Pandora, alcunhada de mundo. Uma lágrima escorreu-lhe. Sabia que a vida ser-lhe-ia implacável; que não perdoaria sua origem humilde e sua descendência étnica. Inocente, esbugalhou os olhos, tentando compreender o motivo da emoção repentina. Mal sabia que este seria seu derradeiro afago.
É um texto que se caracteriza, quanto ao conteúdo, pela apresentação de fatos, de acontecimentos, e, quanto à forma, pelos verbos no pretérito perfeito, imperfeito, mais-que-perfeito (mais raramente no presente) e pela determinação clara da passagem do tempo.
- Aaaah, pai! – estirou-se no colchão, que, apesar de encharcado, não parecia incomodá-lo. – Cadê a Tonha e o Pedim? Eles faz isso mió que eu! – riu-se, em uma risadinha preguiçosamente debochada.
- Filha, não esqueça do ensaio hoje, às 13h!